quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Embriaga(o)-me


Espasmos sinestésicos,
em mim, permanentes.
Transfiguração inter-helênica,
eu, coberto de pele dormente.
A jorrar giros neologísticos,
cópias velhas de Platão.
Acelerada a mente,
um gênio traço.
Respiro lento a longa dopamina,
ouço o estalo da forma,
vejo em escura sincronia,
toco entre um toque salivar.
Eu, bêbado de sentidos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Me até me


Se só me sobrassem pontas,
as colocaria na estante,
empilhadas em livros,
embrulhadas em guardanapos,
com versos esquecidos
rabiscados com batom.

Dos inteiros, gastaria até o último sabor,
até o último cheiro, o último odor.
Me tocaria até gastar os dedos,
irisar os seios, me transformar em déia,
em poetastra indolor.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Ayer


Unilateralmente, Bach.
Villa Lobos santanense, um ouvido inaudível,
o acústico tilintar aquático,
elétrico, lacínio, toca.
Meu...Tímpano...
Cai a chuva e ouço as notas que retratam-me a pele,
os traços,
toca-me a alma, os laços.
Toca-me, me toca freneticamente,
com os dedos, em ré sustenido,
meu suspiro agudo. Gemido.
Respiro a dor ausente,
presente noturno.
O baixo abaixado,
ritmo cortante, stacatto.
Luiza, que agita meu cobertor.
Tremo até minh'alma se sentir beijada.
Ai...
O cheiro da fumaça que não sinto.
O gosto da bebida
Bebo apaixonada até o último gole.
Quero fechar os olhos e os fecho abertos.
Sete cores, et cores, et cor'es...
É sempre bom lembrar,
o seresteiro nato
tem um negro rosto sombrio,
um vazio sábio.
Um cheiro de ar.

domingo, 29 de julho de 2007

Duas cantigueiras


O gordo ou o magro?
Conversa de mariquinhas
Interior recalchutado
Pode assim?
Como é?
É a junta, o instrumento
Machucado, realento
Misericórdia, atormento
Chuva fraca.